quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jardim Japonês

Um espaço livre do estresse, onde é possível sentir a paz, meditar e contemplar o espetáculo proporcionado pela natureza. Assim é o jardim japonês, cuja origem data do século XIV, seu surgimento está relacionado à necessidade de criar espaços especiais onde os monges zen-budistas, saídos da China para o Japão, pudessem fazer suas orações e meditações.

O jardim japonês possui um ar espiritual onde reina a harmonia e, quem entra nesta atmosfera tem a nítida impressão de estar num templo de meditação. A espiritualidade está por toda parte, seus elementos indispensáveis representam a vida, proporcionando sensações de paz e tranqüilidade.

Os jardins fornecem o equilíbrio para a mente dos japoneses que procuram a paz e a tranqüilidade, geralmente são formados por contrastes como liso e áspero, horizontal e vertical, isso porque acreditam que estes contrastes estimulam a mente a encontrar seu próprio caminho a perfeição.

Os aspectos visuais como a textura e as cores, em um jardim oriental são menos importantes do que os elementos filosóficos, religiosos e simbólicos. Estes elementos incluem a água, as pedras, as plantas e variados acessórios. Vejamos a seguir a composição básica de um jardim japonês:

Lanterna de pedra (TORO) – Seu significado é a iluminação da mente de quem percorre o jardim, induzindo-nos à concentração. Os pontos de luz são estrategicamente distribuídos para não ofuscarem a visão. Todas as lanternas têm os mesmos elementos básicos: telhado grande, um compartimento aberto e três ou quatro pernas, a simplicidade fica por conta da textura rústica da pedra.

Dizem que, originalmente, elas eram usadas para iluminar as entradas dos templos para os cerimoniais do chá feito às escondidas de noite.

Lago com carpas (KOI) – A água representa a vida, enquanto que as carpas são símbolo de fertilidade e prosperidade. Seu colorido adiciona movimento ao jardim, ou seja, são a representação das flores vivas – as flores não são utilizadas nos jardins japoneses, pois se transformam rapidamente. A carpa é considerado o peixe “rei do rio” e é respeitado pela sua habilidade para nadar rio acima e pela sua determinação em superar obstáculos.
Fonte (TSUKUBAI) – Quando o elemento água não existe no jardim japonês, sua representação é feita por desenhos em pedriscos ou ainda por uma espécie de cuba com água (tsukubai), originário das cerimônias do chá, que representa o ritual simbólico de lavar as mãos para purificar-se antes da meditação no jardim.

Cascata com pedras – O centro do jardim. Além de oxigenar a água, a cascata significa a continuidade da vida. E, como a vida, ela segue um ciclo representado pela intensidade da água, ou seja, desde as ondas até um simples murmúrio de água correndo é a simbologia da mudança que ocorre em nossas vidas. O fluxo da água simboliza o nascimento, o crescimento e a morte.

As posições das pedras, geralmente em números ímpares, são uma analogia da formação do homem e a sociedade: a princípio estamos sós, depois em grupo (como pai, mãe e descendentes). A pedra colocada em posição vertical representa o pai, e na horizontal a mãe. As outras pedras simbolizam os descendentes, sendo estas distribuídas em torno do lago.

Caminho ou trilha (TOBI ISHI), Ponte (TAIKO BASHI) – Uma ponte ou um caminho dentro do jardim, representa a evolução para um nível superior em termos de engrandecimento, amadurecimento e auto-conhecimento, enquanto a flexibilidade do bambu, conduz a capacidade de adaptação e mudança.

Bambu – O bambu participa freqüentemente da idéia taoísta segundo a qual se deve ceder a situações ou condições externas, para melhor triunfarmos na vida. Seus galhos são amarrados de forma que a planta cresça se curvando para o lago, como em reverência e respeito àquele que aprecia o jardim. É a imagem do bambu, que resiste a verga sob o rancor da tempestade, para em seguida voltar e erguer-se e aparecer novamente em todo seu esplendor. A eles são amarrados também sinos do vento e os macacos de cerâmica que trazem o som da natureza e a felicidade.

Plantas e arbustos – Os arbustos com formatos (topiaria) garantem um efeito de escultura ao jardim e, para a cultura japonesa o paisagismo é uma das formas mais elevadas de arte, pois consegue expressar a essência da natureza em um limitado espaço.
Como cada elemento do jardim japonês tem seu significado, as flores não são usadas – vide item sobre as carpas – chegaram até mesmo a ser consideradas sinais de frivolidade devido a sua rápida transformação. Enquanto isso, as árvores e arbustos representam o silêncio e a eternidade. As mais utilizadas são a sakura (flor de cerejeira), o momiji (acer) e a sazanka (camélias).

A flor de cerejeira tem um significado especial: é conhecida como a flor da felicidade. A sua floração é comemorada no Hanami, nos meses de março e abril. É o momento de sair da introspecção do inverno e se abrir para o mundo, florescer o espírito e festejar.

Ao contrário do festejo e da alegria que o Hanami proporciona - o florescimento do sakura - a visão da queda das folhas do momiji, acer vermelho, revela um aspecto melancólico e reflexivo da personalidade japonesa. Para eles apreciar as cores da queda é tão importante quanto as do florescimento.

Tais princípios, aqui relacionados, nos ajudam a compreender melhor os aspectos de um jardim japonês. Obviamente não querem dizer uma só coisa, pois podem ter significados correlativos ao mesmo tempo. Um princípio está ligado a outro, o sentido se faz através do conjunto: assimetria, maturidade, simplicidade, naturalidade, sugestivo, transcendência do convencional e serenidade, estas são as bases que norteiam os projetos dos jardins japoneses, não esquecendo, é claro, do eterno e espírito.

Um comentário:

  1. com uma plaquinha melohr e o plano de fundo certo esse blog vai pra frente

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